Uso Prolongado de IBP (omeprazol)

Tomar omeprazol durante muito tempo é seguro?

O omeprazol faz parte de uma classe de medicamentos chamada de Inibidores de bomba de prótons (IBPs), junto com outras drogas como o pantoprazol, rabeprazol, lansoprazol, esomeprazol, entre outros. Seu principal efeito é bloquear a formação e liberação de ácido clorídrico no estômago. Essa ação revolucionou o tratamento de diversas doenças gástricas como: gastrite, úlcera, refluxo gastroesofágico e esofagite. Seu lançamento, juntamente com a descoberta da bactéria Helicobacter pylori, mudaram de forma radical o tratamento dessas patologias, que no passado eram tratadas muitas vezes com cirurgias (gastrectomias e vagotomias).

Porém seu uso se tornou tão popular, muitas vezes até mesmo banalizado, que muitos pacientes têm dúvidas em relação a segurança no uso dessas medicações.

De forma geral, são drogas bastante seguras, desde que prescritas por especialista experiente e que seja mantido o acompanhamento adequado. Na maioria dos casos, o tratamento tem prazo determinado para ser interrompido. Nesses casos os efeitos colaterais são mais relacionados a intolerância ao medicamento com sintomas como náuseas, diarreia, vômitos, dor de cabeça, constipação e muito raramente reação alérgica grave com anafilaxia.

No entanto, alguns pacientes, necessitam de tratamento prolongado ou mesmo crônico com os IBPs. Dessa forma, é importante que tanto o paciente quanto o médico que está realizando o tratamento estejam cientes dos efeitos a longo prazo.

Estudos clínicos demonstram que o uso prolongado de IBP pode causar alguns problemas como:

– Redução na absorção de cálcio, magnésio e vitamina B12: esses minerais e vitaminas dependem da presença da acidez gástrica para serem absorvidos adequadamente, por isso pacientes que fazem uso prolongado precisam ter seus níveis de cálcio, magnésio e vitamina B12 monitorados e suplementados se necessário;

– Hipergastrinemia e gastrite atrófica: o bloqueio da formação de ácido no estômago gera um estímulo para uma maior produção de células, o que aumentou o risco de câncer gástrico em um estudo com ratos, porém até hoje não há estudos comprovando esse risco em seres humanos;

– Aumento de infecções: devido a reduzida acidez gástrica, algumas bactérias conseguem se desenvolver com mais facilidade, gerando infecções como a colite pseudomembranosa por Clostridium difficile, e pneumonias;

– Interação com Clopidogrel: o clopidogrel é um anti-agregante plaquetário, usado por pacientes com doença coronariana. Ele diminui o risco de infarto e AVC em pacientes de alto risco. Porém os IBPs diminuem o efeito do clopidogrel devido a uma interação com sua metabolização no fígado, sendo necessário avaliar o risco x benefício da associação; Portanto, diante do que vimos, o importante é sempre consultar seu médico especialista e evitar a auto-medicação


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